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quarta-feira, 24 de julho de 2013

THE FLAME



Whenever I have a free second,

I use it to be with you

One free second with you makes me sigh for more

One free minute with you is a heavenly delight

One free hour with you is Eternity 


(the good kind of Eternity)


Often, you stop time: an instant becomes eternal

Time with you is written with capital letters

I will seek you for the rest of my Time

My love is yours to keep: an eternal flame



Sándalo Naranja




segunda-feira, 20 de maio de 2013

A GAVETA AO FUNDO DO CORREDOR




Os homens esperam pelas mulheres e as mulheres esperam pelos homens.
Assim. Tal e qual.
E depois acontece o encontro ou o desencontro. Depende.
De que depende?
Se chove, se faz sol, se há comboio, se o barco partiu antes da hora, se a vontade desmaiou ao bater a porta da rua, se o sono não sai do corpo quando toca o despertador, se o coração quer ou não quer e a razão o ouve.
(No fundo, bastava ler o céu, à noite. Mas, nestes dias loucos, quem tem tempo para isso?)




Respiras e isso é já  um triunfo.
Ouves
Vês
Sentes
Pois bem, isto são as verdadeiras conquistas.
O resto
passa.
Já passou.
Está a passar.
Passará.
Tu
entre os dedos
só tens o presente
e no rosto o desejo de futuro
e
o passado?
esse
está lá
e vai e vem
quando queres
e quando não queres
vive a sua presença numa gaveta indomável,
no armário
de madeira escura
ao fundo
do
infindável
corredor
da tua vida








és tu
lá.

agora
já não.

podes sempre voltar
mas já não podes ficar.


era.

e tu,
agora

és.


AMAN

terça-feira, 14 de maio de 2013

CATÁSTROFE




É natural, colossal,
feito mirabolante,
aquela onda gigante?
E aquele vendaval uivante?
(...não é ele coisa que me espante...)
Seca ou inundação, furacão,
funesta guerra, açoite ou fusta?
(...nada disso me assusta...!)

Bem pior, acredite amor,
é aqui e agora você não estar
se a gente precisa desse seu fulgor,
do seu olhar, seu carinho,
seu zéfiro amável pra soprar
as velas do meu barquinho

Flor de todos meus bens,
(é disto que saí à procura
até o portão da loucura:
aquilo que ainda não tens)...

E já procurei pedra nobre
(pra te oferecer)
e tudo parece tão pobre
(pra te merecer)

Me diz, o que tem o seu olhar?
como ele é assim?
...brilhante alquimia de azuis

(se já todo ele é mar...!)

Me diz, como é feito o seu andar?
ó noiva de passos transparentes,
alma luzidia, bela indiferente

(se o seu desejo não guia esses passos...)

Me fale dessa luz de setim
que a minha alma ilumina,
a que me explode no peito
e no meu leito se pousa, por fim...

(...como carícia dum presente 
que se quer eterno,
      como cadência 
que não saberá
          jamais morrer).





                                               Sándalo Naranja

domingo, 12 de maio de 2013

RESEARCH



Já te falei disso tantas vezes, desde o primeiro dia, é estranho, eu nunca tive uma mente dada à matemática, mas quando te vejo caminhar é logo nisso que penso: alguém com jeito para isso, um sábio, o um guru, alguém que soubesse descrever o teu caminhar com fórmulas e equações, já sabes, os ângulos de rotação dos teus lindos tornozelos (vi-os anteontem, coisa delicada e bela!), enfim, tu percebes, o rácio do impulso vertical proporcionalmente inverso à velocidade angular, sei lá, esse tipo de coisas das quais eu não percebo nadinha, mas que me fascinam em ti, e que tenho certeza podem ser explicadas pela ciência, olha para todo esse dinheiro que investimos em bolsas e universidades, o porquê dos teus pés deixarem no chão um vapor luzidio que talvez seja eu o único que repara nele, o porquê das coisas que tocas ficarem logo diferentes, o porquê de quando almoço contigo não me lembro da fome que tinha enquanto esperava por ti, o porquê dessas marcas invisíveis que deixas em tudo, não apenas nos copos e nos talheres, mas também nas canções e nos poemas e nas esquinas e nas fontes e nos edifícios antigos.



Sándalo Naranja

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O MEU OLHAR DEMORADO





Como seria bom se pudesse olhar para ti mais devagar, com a serenidade devida, se conseguirmos parar o tempo do olhar, também, e assim, fotograma a fotograma, pudesse eu registar com alguma precisão o voo das tuas mãos, o alvoroço das tuas pálpebras, a fina dança das costuras da tua roupa quando caminhas, enfim, e um outro mundo infindável de pormenores  que detecto aos poucos e nunca consigo consignar devidamente, 


e talvez assim, em slow-mo, conseguisse eu ver onde é que o teu olhar se pousa exactamente quando falas dessas coisas tuas com esse meio sorriso de encantar... gostaria, enfim, de olhar para ti já sem uma réstia de vergonha nem boa educação, e com o máximo deleite, e que tu te achasses, plena de ti no meu olhar, e nele sentisses esse tocar vagaroso de que tanto te falo, aquele em que se misturam as aguas da ternura mais doce e do desejo mais aceso de ti, numa foz onde já não é mais possível separar as águas, e todo o olhar se revela carícia, finalmente e para sempre desenvergonhada, que te despe de palavras, de razões, de roupas, e atravessa o teu corpo (tão amado!) duma luz como um zénite sem sombras.






Sándalo Naranja